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Euclidis Megarensis philosophi platonici mathematicique prestantissimi
Specularia Bar[tholamaeo] Zam[berto] Veneto interprete.
[1] Visum lineam rectam esse qua media cuncta extremis correspondent,
[2] quaeque uidentur per rectam spectari lineam, planum ac receptum
esse oportet.
[3] Speculo in plano collocato, inspectoque aliquo sublimi, quod
et ipsi plano ad angulos rectos existat, fiant proportionalia: ut
inter speculum et spectantem recta linea ad eam quae inter speculum
et id quod ad angulos rectos fastigium, sic aspecti fastigii ad
id quod ad angulos rectos in plano fastigium obiectum est.
[4] In planis namque speculis loco assumpto in quem ab inspecto
perpendicularis cadit, non amplius spectatur uisibile.
[5] In conuexis uero speculis assumpto loco per quem ab inspecto
in centrum sphaerae ducitur, uisibile non amplius spectatur, id
quoque in cauis euenit.
[6] Si in uas enim quidpiam proiectum sit, acceperitque interuallum
ut minime uideatur, eodem existente interuallo si aqua infundatur,
iniectum spectabitur.
[Glosa manuscrita na margem esquerda:] Mensura altitudinis cum
speculo plano, idem cum aqua.
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Tratado dos Espelhos de Euclides de Mégara, filósofo platónico
e eminentíssimo matemático. Traduzido por Bartolomeu Zamberto, de
Veneza.
[1] Deve considerar-se evidente e como garantido que um raio visual
é uma linha recta, na qual todas as partes intermédias estão em
correspondência com os extremos,
[2] e que qualquer objecto observado é avistado em linha recta;
[3] que, se se colocar um espelho num plano e se avistar uma altura
perpendicular ao dito plano, se observam as seguintes proporções:
assim como a linha recta entre o espelho e o observador está para
aquela entre o espelho e a altura perpendicular [ao plano], assim
também [está a linha recta] da altura do observador para a altura
perpendicular ao plano.
[4] Em espelhos planos, se se ocupar o lugar onde cai a perpendicular
do objecto avistado, o objecto deixa de ser visível.
[5] Em espelhos convexos, se se ocupar o lugar por onde passa a
linha recta traçada desde o objecto avistado até ao centro da esfera,
o objecto deixa de ser visível. O mesmo acontece em espelhos côncavos.
[6] Se se lançar um objecto num recipiente e este alcançar uma
distância tal, que deixa de ser visto; se se mantiver a mesma distância
e se vazar a água, ver-se-á [novamente] o objecto lançado.
[Glosa: A mensuração de uma altura com um espelho
plano, o mesmo com [um espelho] de água.]
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Theorema primum.
A planis conuexis cauisque speculis uisus in aequalibus angulis
refringuntur.
Sit oculus .b. speculum autem planum sit .ac. uisus uero
feratur .bk. et refringatur in .d. Dico quod angulus .e.
ipsi angulo .f. est aequalis. Excitentur per .xii. primi
elementorum perpendiculares in speculum .bc. da. est igitur sicut
.bc. ad .ck. sic est .da. ad .ak. hoc
inquam in diffinitionibus patuit. Simile igitur est triangulum .bck.
triangulo .dak. per diffinitionem primam .vi. elementorum.
Igitur angulus .e. angulo .f. est aequalis, namque
similia aequiangula sunt.
In conuexis.
Sit iam conuexum speculum .akc. uisus uero sit .bk.
refractus in .d. Dico quod angulus .eh. aequalis est angulo
.fl. apposui planum speculum .nm. aequalis est angulus
.e. angulo .f. per precedentem. Sed et .h. ipsi .l.
connectitur namque .mk. totus igitur .eh. toti .lf.
est aequalis.
In cauis.
Sit rursus cauum speculum .akc. uisus autem .bk.
refractus in .d. Dico quod angulus .e. aequus est
angulo .f. collocato enim plano speculo .mn. aequalis est
per primam angulus .he. angulo .fl. Aequalis autem
est .h. ipsi .l. reliquus igitur .e. reliquo
.f. est aequalis.
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Teorema primeiro
Em espelhos planos, convexos e côncavos, os raios visuais são reflectidos
em ângulos iguais.
Seja B um olho e seja AC um espelho plano. Que um raio visual BK
se propague, sendo reflectido para D. Afirmo que o ângulo E é igual
ao ângulo F. Levantem-se, pela 12ª do primeiro dos Elementos, as
[rectas] BC e DA, perpendiculares ao espelho. Então, como BC está
para CK, assim está DA para AK (isto, relembro, ficou patente nas
definições). Portanto, o triângulo BCK é semelhante ao triângulo
DAK, pela 1ª definição do 6º dos Elementos. Logo, o ângulo E é igual
ao ângulo F, pois [triângulos] semelhantes possuem ângulos iguais.
Em convexos
Seja agora AKC um espelho convexo e seja BK um raio visual reflectido
para D. Digo que o ângulo EH é igual ao ângulo FL. Acrescentei o
espelho plano NM. O ângulo E é igual ao ângulo F pelo anterior.
Contudo, o ângulo H também é igual ao ângulo L, pois MK é tangente
[ao espelho côncavo]; logo, a totalidade do ângulo EH é igual à
totalidade do ângulo LF.
Em côncavos
Seja agora AKC um espelho côncavo e seja BK o raio visual reflectido
para D. Digo que o ângulo E é igual ao ângulo F. Com efeito, se
acrescentarmos um espelho plano MN, o ângulo HE é igual ao ângulo
FL, pela primeira proposição. Porém, o ângulo H é igual ao ângulo
L, logo o restante ângulo E é igual ao restante ângulo F.
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