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Colecçoes, Museus e História das Ciências

 
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Horário: 4ª feira, 15-18h, sala 1.3.15 ou Anfiteatro Manuel Valadares MCUL

Objectivo da disciplina (resultados da aprendizagem e competências a adquirir)

Nos últimos anos, tem-se observado um interesse crescente da comunidade científica internacional na utilização de colecções e de artefactos como fonte para a investigação em história. Hoje em dia, a cultura material é talvez uma das áreas mais interessantes e 'cutting edge' da história da ciência. As razões são múltiplas. Em primeiro lugar, não é razoável pensar-se que muita da história da ciência possa continuar a ser feita com recurso exclusivamente a fontes documentais. Não é possível ignorar a relevância histórica dos milhões de instrumentos científicos, espécimens de história natural, herbários e ceras anatómicas que se encontram em museus, observatórios astronómicos, colecções privadas, escolas secundárias e hospitais - em Portugal e pela Europa fora. É importante preservar o património científico e o primeiro passo consiste em estudá-lo e conhecê-lo profundamente. Em segundo lugar, a utilização de colecções por historiadores enriquece-as com uma 'espessura' de informação que vai muito para além do estudo que os conservadores nos museus estão habituados a fazer. Finalmente, a utilização de objectos como fonte levanta questões e desafios de ordem metodológica e historiográfica que têm suscitado o interesse quer de historiadores quer de profissionais de museus.

Esta disciplina pretende fazer uma abordagem geral à teoria e prática da cultura material da ciência. Encontra-se organizada em dois grandes blocos: um primeiro bloco relacionado com a história e tipologia dos museus e colecções e um segundo bloco dedicado ao inventário e estudo de objectos.

As aulas serão uma mistura de aulas teóricas, teórico-práticas e práticas (sessões com artefactos). Terão lugar no Anfiteatro 1.3.15 (Faculdade de Ciências), no Anfiteatro Manuel Valadares (Museu de Ciência) e no Laboratório de Física Cyrillo Soares (Museu de Ciência).

As aulas incluem ainda visitas de campo às reservas e Laboratorio Chimico do Museu de Ciência, ao Museu Nacional de História Natural e ao Observatório Astronómico de Lisboa.

Precedências recomendadas

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Programa (Componente teórica)

1. Apresentação. Património Científico. 5 de Março
[Anfiteatro 1.3.15, FCUL]

Apresentação do curso. Conteúdos. Avaliação.

O património científico (da ciência). Tipologia do património científico. O papel dos museus. Tipologias. Os acervos científicos. Os arquivos científicos. O património edificado: observatórios, laboratórios, etc. O património científico natural: jardins botânicos, parques, geomonumentos, sítios e paisagens naturais. O património científico imaterial. Espaços de património científico nas sociedades contemporâneas (museus, colégios e escolas secundárias, hospitais, instituições militares, laboratórios nacionais). Principais desafios do património científico: preservação, conservação preventiva, relevância para a divulgação científica, relevância para a história da ciência. O património da ciência contemporânea. Políticas nacionais para o património científico.

2. Museus, objectos e colecções. 12 de Março
[Anfiteatro 1.3.15, FCUL]

Introdução à história das colecções e dos museus. Tipologia dos museus científicos: museus de ciência e técnica, museus de história natural, museus técnicos especializados; breve referência aos museus de etnografia, museus de sítio, museus de ar livre, ecomuseus e centros de ciência; o debate museu de ciência vs. centro de ciência; o contexto português. Tipologia dos objectos em museus de ciência e museus de história natural: o instrumento, a máquina, o modelo, o protótipo, o espécimen, o molde, o módulo 'interactivo'.

Leituras obrigatórias:

  • Hudson, K. 1987. Museums of influence. Cambridge University Press (Science, Technology and Industry, pp. 88-112).
  • Lewis, G.D., 1984. Collections, collectors and museums: a brief world survey. In: J.M.A. Thompson (ed.), Manual of curatorship, pp. 7-22. Butterworths & Museums Association, London.
  • Rothstein, E. 2006. "At the Exploratorium and the Tech Museum, 2 views of science". The New York Times, 12 August 2006.

Leituras recomendadas:

  • Alexander, E.P. 1979. Museums in motion. American Association for State and Local History, Nashville [Biblioteca MCUL].
  • Forgan, S. 2005. "Building the museum. Knowledge, conflict and the power of place". Isis 96: 572-585 [pdf].
  • Impey, O. & A. MacGregor (eds.), 2001. The origins of museums: the cabinet of curiosities in sixteenth- and seventeenth-century Europe. Second edition. House of Stratus, London.
  • Kohlstedt, S.G. 2005. "Thoughts in Things. Modernity, History and North American Museums". Isis 96: 586-601 [pdf].
  • Laissus, Y., 1986. "Les cabinets d'histoire naturelle". In: R. Taton (ed.), Enseignement et diffusion des sciences en France au XIIIe siècle, pp. 659-712. Hermann éd., Paris.
  • Pomian, K., 1987. Collectionneurs, amateurs et curieux: Paris, Venise: XVIe-XVIIIe siècles. Gallimard, Paris.
  • Poulot, D., 2001. Patrimoine et musées - l'institution de la culture. Hachette, Paris.

3. Museus e Investigação. 26 de Março
[Anfiteatro Manuel Valadares, MCUL]

A investigação nos museus. O contexto da investigação nos museus de ciência e dos museus de história natural. Distinção entre inventário, catálogo, curatorship e investigação no contexto das duas tipologias de museus. Visita ao Laboratorio Chimico da Escola Politécnica, Museu de Ciência. Visita às reservas do Museu de Ciência.

Leituras obrigatórias:

Leituras recomendadas:

  • Bennett, J.A., 1997. "Museums and the establishment of the history of science at Oxford and Cambridge". British Journal for the History of Science, 30: 29-46.
  • Jackson, P.N.W. 1999. "Geological museums and their collections: rich sources for historians of geology". Annals of Science 56: 417-431 [pdf].
  • Jones, A.L. 1993. "Exploding canons: The anthropology of museums". Annu. Rev. Anthropol. 22: 201-220 [pdf].
  • Keene, S. 2005. Fragments of the world. Uses of museum collections. Elsevier, Oxford (Collections for research, pp. 45-65).
  • Taub, L., 2003. "The history of science through academic collections". ICOM Study Series, 11: 14-16.

4. Visita de Campo: Museu Nacional de História Natural, Lisboa. 2 de Abril
[Anfiteatro Manuel Valadares, MCUL]

Visita aos Herbários do Museu Nacional de História Natural. Visita à Colecção de Mineralogia e Geologia do Museu Nacional de História Natural.

Leitura obrigatória:

Leituras recomendadas:

5. História da Ciência e Cultura Material da Ciência. 9 de Abril
[Laboratório de Física Cyrillo Soares, MCUL]

Introdução à cultura material: origens, bibliografia, recursos e principais journals. A cultura material da ciência. Os artefactos como fonte. Os níveis objecto, colecção e património. O museu enquanto fonte para a história. Estudos de instrumentos, estudos de património. Biografias de objectos e de colecções. Abordagens metodológicas à cultura material: Pearce, Winterthur e Gessner.

Descrição de um objecto (trabalho de grupo), seguido de apresentação e discussão.

Leituras obrigatórias:

Leituras recomendadas:

  • Baird, D. 2003. Thing Knowledge: A Philosophy of Scientific Instruments. Berkeley: University of California Press.
  • Dunn, R. 2006. "Made to Measure: Some thoughts on the design of scientific instruments". In L. Taub & F. Willmoth (eds.) The Whipple Museum of the History of Medicine: Instruments and interpretations to celebrate the 60th anniversary of the R.S. Whipple gift to the University of Cambridge, pp. 121-138. Whipple Museum, Cambridge.
  • Eversmann, Pauline K., et al. 1997. "Material culture as text: Review and reform of the literacy model for interpretation". In A.S. Martin & J. R. Garrison (eds) American material culture, pp. 135-67. Winterthur, Delaware.
  • Golinski, J. 2005. Making natural knowledge. Constructivism and the history of science. University of Chicago Press (Interventions and representations, pp. 133-161).
  • Hopwood, N. & S. de Chadarevian 2004. "Dimensions of modeling". In S. de Chadarevian & N. Hopwood (eds) Models. The third dimension of science, pp. 1-15. Stanford University Press.
  • Mosley, A. 2007. "Objects, texts and images in the history of science". Stud. Hist. Phil. Sci. 38: 289-302 [pdf].
  • Pickstone, J.V. 2000. Ways of knowing. A new history of science, technology and medicine. Manchester University Press (Experimentalism and invention, pp. 135-161).
  • Prown, J.D. (1993). "The truth of material culture: History or fiction?" In History from things: Essays on material culture, ed. Steven Lubar and W. David Kingery, pp. 1-19. Washington, D.C.

6. Gestão de Colecções & Inventário. 16 de Abril
[Anfiteatro Manuel Valadares, MCUL]

Inventário: objectivos e aspectos técnicos (manusear, marcar, numerar, descrever, fotografar). Problemas terminológicos. Fontes primárias e secundárias para o inventário. Documentação. Conservação. Gestão de colecções. Selecção de peças para inventariar (trabalho prático, Laboratorio de Física, 17 h).

Leituras obrigatórias:

  • Mann, P.R. 1994. "Working exhibits and the destruction of evidence in the Science Museum" In S. Knell (ed) Care of Collections, pp. 35-46. Routledge, London.
  • Field, J.V. 1988. "What is scientific about a scientific instrument?" Nuncius 3(3): 3-16, 17-26 [pdf].

Leituras recomendadas:

  • J.M.A. Thompson (ed.) 1984. The manual of curatorship. Butterworths & Museums Association, London [Biblioteca MCUL].
  • Ambrose, T. & C. Paine, 1993. Museum basics. ICOM/Routledge, London [Biblioteca MCUL].

7. Visita de Campo: Observatório Astronómico de Lisboa. 23 de Abril
[ponto de encontro: OAL, 15 h]

Entrega do Abstract do 'Artefact Essay'.

Visita de estudo ao Observatório Astronómico de Lisboa (espaço, arquivo, biblioteca e colecção de instrumentos).

 

Leituras obrigatórias:

  • Tully, F. Le Guet & J. Davoigneau 2006. "The 19th century observatory today: from astronomical instrument to cultural and scientific symbol". In B. Grob & H. Hooijmaijers (eds) Who needs scientific instruments, pp. 57-64. Museum Boerhaave, Leiden.
  • Raposo, P. 2006. "Down to earth solutions for celestial purposes: remarks on the life and works of the astronomer/instrument maker Campos Rodrigues (1836-1919)". In B. Grob & H. Hooijmaijers (eds) Who needs scientific instruments, pp. 203-207. Museum Boerhaave, Leiden.

8. Aula Prática: Inventário. 30 de Abril
[Anfiteatro Manuel Valadares, MCUL]

Aula prática: Inventariação de um objecto.

9. Análise e Estudo de Artefactos (Método Winterthur) 7 de Maio
[Anfiteatro Manuel Valadares, MCUL]

Entrega das Fichas de Inventário.

Apresentação oral das fichas de inventário produzidas na aula anterior. Discussão. Introdução ao Método Winterthur de análise de artefactos.

Leitura obrigatória:

  • Fleming, E. McClung (1982). "Artifact study: A proposed model." In Material culture studies in America, ed. Thomas J. Schlereth, pp. 162-73. Nashville.
  • Mahoney, Michael S. (2003). "Reading a machine." Unpublished ms. Available at http://www.princeton.edu/~hos/h398/readmach/modeltfr.html

Leituras recomendadas:

  • Kingery, W.D. 1996. "Materials science and material culture". In W.D. Kingery (ed) Learning from things: Method and theory of material culture studies, pp. 181-203. Smithsonian Institution Press, Washington DC.
  • Maquet, J. 1993. "Objects as instruments, objects as signs." In S. Lubar and W.D. Kingery (eds) History from things. Essays on material culture, pp. 30-40. Smithsonian Institution Press, Washington DC.

10. Aula Prática: Análise e Estudo de Artefactos. 14 de Maio
[Laboratório de Física Cyrillo Soares, MCUL]

Aula prática: análise de um artefacto (Winterthur). Discussão.

11. Aula Teórico-Prática: Análise e Estudo de Artefactos (Método Gessner). 21 de Maio
[Laboratório de Física Cyrillo Soares, MCUL]

Um mapa para a descrição e estudo histórico de um instrumento (Samuel Gessner). Workshop e discussão.

12. Aula Prática: Acesso aos Objectos. 28 de Maio
[Laboratório de Física Cyrillo Soares, MCUL]

Aula prática livre para acesso aos objectos.

13. A Interpretação de Instrumentos para o Público: Breves Reflexões. 4 de Junho
[Anfiteatro Manuel Valadares, MCUL]

O público. Interpretação de instrumentos. A exposição.

Leituras obrigatórias:

  • Clercq, S.W.G. de & M.C. Lourenço, 2003. "A globe is just another tool: understanding the role of objects in university collections". ICOM Study Series, 11: 4-6.
  • Pearce, S.M. 1992. Museums, objects and collections: A cultural study. Leicester University Press (Meaning in History, pp. 192-209).

Leituras Recomendadas:

  • Hein, H.S. 2000. Museum in Transition. A Philosophical Perspective. Smithsonian Institution Press.
  • Hooper-Greenhill, E. 1992. Museums and the shaping of knowledge. Routledge, London.
  • Levin, M.R. 2006. "Museums as media in the emergent global context". Curator 49(1): 31-35 [pdf].
  • Light, R.B., D.A. Roberts & J.D. Stewart 1986. Museum documentation systems. Developments and applications. Butterworth, London [Biblioteca MCUL].
  • Velard, G. 1988. Designing exhibitions. The Design Council, London [Biblioteca MCUL].

14. Encerramento e Sumário. 11 de Junho
[Anfiteatro Manuel Valadares, MCUL]

Entrega das Fichas de Visita de Campo. Sumário e discussão de encerramento.

Leitura obrigatória:

NOTA: 30 Junho: Entrega Artefact Essay.

 

 

> Mestrado 2007/2008

 

> Docente
Marta Lourenço,
Museu de Ciência, Universidade de Lisboa Museus da Politécnica
Rua da Escola Politécnica 56
1250-102 Lisboa
Metro: Rato
Tel. 213921881
Fax 213909326
mclourenco(at)museus.ul.pt

Horário de atendimento aos alunos (sob marcação): 6a feira, das 14-17 h.
Horário para acesso às colecções (sob marcação): 5a feira, das 10-17 h.
Horário da Biblioteca do Museu: 2a 14-17h/3a a 6a, das 10-17h.

> Departamento responsável
Secção Autónoma de História e Filosofia das Ciências da FCUL

> Tipo de disciplina
opção

> Ano da disciplina
1º ano do 2º ciclo

> Semestre da disciplina
2º semestre

> Número de créditos
6 ECTS/3h

> Carga horária semanal (presencial)
3 horas semanais

> Responsável da disciplina
Marta Lourenço

> Métodos de ensino
exposição, apresentações dos alunos, trabalhos práticos, visitas de campo.

> Métodos de avaliação
Assiduidade, Pontualidade e Participação na aulas: 30%. Abstract do Artefact Essay: 10% Entregar no início da aula de 23 de Abril. Ficha de inventário: 15% Entregar no início da aula de 7 de Maio. Ficha de Visita de Campo: 15% Entregar no início da aula de 11 de Junho (última aula). Artefact Essay - Análise de um artefacto: 30% Entregar a 30 de Junho

> Língua de ensino
português

     
       
       
       
            
           
  Última actualização 10-04-08